Precisamos falar sobre o atraso no desenvolvimento da linguagem e da leitura.
Muitas crianças estão apresentando dificuldades para aprender a ler. A etiologia é multifatorial, entretanto não podemos ignorar que o mundo mudou, as crianças mudaram mas, tanto as famílias, quanto escolas ainda utilizam as mesmas abordagens e estratégias, antes eficazes para as outras gerações, agora não mais.
O que sabíamos antes era que crianças cujos pais tiveram história de dificuldades de leitura faziam parte do grupo de risco. Hoje sabemos que esse grupo de risco é bem maior.
O atraso no desenvolvimento da linguagem é um fator de risco importante, e é preocupante a displicência com que os atrasos de linguagem são tratados. Em pleno século XXI ainda vemos justificativas totalmente infundadas para a falta de atenção diferenciada para essa criança que não falou no tempo ou do modo esperado para o grupo etário. As justificativas mais comuns são: o pai (ou outro parente próximo) também demorou a falar; ele (a) fala bem quando quer, meninos demoram mais mesmo; até os 5 anos ele vai falar, ele/ela é tímido, entre outras.
A questão é que o atraso, alterações da linguagem, ou qualquer outra intercorrência no desenvolvimento devem ser investigados e tratados o quanto antes, pois deixar para tratar depois é deixar a situação crescer e agregar novos problemas.
Uma grande parcela de crianças que chegam aos consultórios psicopedagógicos com dificuldades de aprendizagem e fobia escolar poderiam ter um desenvolvimento muito melhor se tivessem sido avaliadas e acompanhadas por um profissional da área de fonoaudiologia quando apresentaram o atraso de linguagem nos anos iniciais, entretanto já na faixa dos sete anos vai precisar de uma equipe interdisciplinar, porque os problemas cresceram e se acumularam.
A retenção na série ou reprovação escolar é um drama recorrente para essas crianças. Drama porque se mostra uma estratégia totalmente ineficaz, já que repetir um ano oferecendo o mesmo estímulo novamente não vai mudar o desenvolvimento, fazer mais do mesmo não resolve, é preciso repensar as estratégias e abordagens e traçar um plano que abranja os aspectos e requisitos necessários para a plena alfabetização.
Um programa de intervenção precoce pode incluir apenas a orientação familiar e reavaliação periódica da criança, até uma intervenção terapêutica mais pontual. De qualquer forma, melhor pecar por excesso e buscar auxílio especializado e experiente, o quanto antes.